20 de abril de 2012

Novo Major da Polícia Militar!


Hoje aproveito o espaço para parabenizar o novo Major da Polícia Militar Adenilso, que recebe sua merecida promoção, fruto do reconhecimento pelos anos de dedicação e trabalho na segurança pública. Ter competência e dedicação no trabalho é o que se espera de um bom Militar; pelas suas qualidades e esforço próprio conquistastes e avanças mais um degrau na escalada ao sucesso. Parabéns!

Receba com orgulho esta conquista e fique com Deus!

14 de abril de 2012

II CICLO DE PALESTRAS DA PESCA

25 ‐ 27 de abril de 2012
Auditório Central do IFPA
Campus Belém
PROGRAMAÇÃO

25 de abril 

17:00-18:00 - Inscrição e entrega de materiais

18:00-19:00 - Detecção de impactos por metais pesados através de análise de DNA nuclear em peixes.  Prof. Dr. Carlos Rocha – IFPA19:00-19:30 Intervalo

19:30-20:30 - Pode o conhecimento da morfologia de uma espécie cultivada contribuir na taxa de sobrevivência? - Prof. Dr. Fernando Abrunhosa – UFPA.

20:30-21:30 - "Resíduo zero": sustentabilidade para a indústria pesqueira - Profa. Dra. Marileide Moraes Alves – UFPA Campus Bragança.

26 de abril

8:00-19:00 - Tendências atuais da Pesca no litoral do Norte do Brasil, um processo de sobrepesca ou ocasião de mercado - Prof. Dr. Roberto Vilhena do Espirito - Santo – IFPA

19:00-20:00 - Efeitos dos processos biogeofísicos de média e grande  escalas na produção biológica e pesqueira da costa    Amazônica - Prof. PhD. Eduardo Tavares Paes – UFRA

20:00-20:30 - Intervalo

20:30-21:30 - As áreas marinhas protegidas e a pesca artesanal um estudo de caso no Litoral norte do
Brasil - Prof. Dr. Mauricio Camargo – IFPA

27 de abril

18:00-19:00 - Situação da pesca do camarão  Macrobrachium no estuário Amazônico.  Profa. Dra. Bianca Silva – UFPA

19:00-20:00 - Aplicação de SIG nos recursos pesqueiros – um estudo de caso na Plataforma continental do Amazonas - Msc.  Déborah Martins - MPA

20:00- 20:30
Lançamento do livro
Acaris Ornamentais Do Médio Rio Xingu - Ornamental Plecos of the Middle Xingu River
 Autores:
Mauricio Camargo – IFPA
Heriberto Gimênes Junior - UNIDERP
Lúcia Rapp Py-Daniel – INPA
Estudantes, participantes de grupo de pesquisa na instituição
Claudia Antonia Campos Rodrigues
Heriberto Gimênes Junior
Lays Kelly Santana dos Santos
Leonardo Sousa dos Santos
Leonidas Dias da Silva
Maria Sintia Monteiro da Costa

Informações e inscrições:
Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia – IFPA
Av. Almirante Barroso, 1155, Marco, CEP: 66093-090
Coordenação de Recursos Pesqueiros e Agronegócios

Coordenação Geral:
Prof. Maurício Camargo Zorro
Prof. Osvaldo Campos Teixeira
Profa. Maria Sintia Monteiro da Costa
Profa. Suzete Duarte da Costa

Coordenação Estudantil:
Claudia Rodrigues
Nara Moreira


15 de março de 2012

PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO DO MST - ASSENTAMENTO JOÃO BATISTA II



O movimento dos sem terra (MST) surgi nos extratos sociais do meio rural economicamente desprivilegiado. O MST se manifesta por meio da luta pela reforma agrária e por mudanças sociais no Brasil e tem como estrutura de base a idéia de coletividade. O presente trabalho tem como principal objetivo observar as Políticas de Educação do Movimento dos Sem Terra, no assentamento João Batista II, em Castanhal-PA.

Figura 1: Localização do Assentamento João Batista II.
Fonte: Leonardo Sousa, Março (2012).

O trabalho realizou-se através de uma visita de campo e uma entrevista com os principais responsáveis pela direção do assentamento e da escola local. Tem-se a entrevista como um importante instrumento, pois, “as palavras são testemunhos muitas vezes mais bem compreendidos do que os documentos.” (NISBET 1984). Através da entrevista pretendeu-se realçar a possibilidade da memória destacando elementos chaves através de perguntas previamente elaboradas pelos alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará. Estas perguntas voltaram-se às reflexões dos princípios pedagógicos da educação do MST.

De acordo com a entrevista, o assentamento João Batista II, nasce da luta de 812, família que começou a organizar-se em núcleos individuais de 15 porções. A bandeira levantada pelo movimento é de morada na terra e preparação do campo. Hoje o movimento tem 13 anos de lutas, com 157 famílias vivendo nesta área. Em 10 anos de criação do assentamento a comunidade conseguiu que o poder público regularizasse a situação dos assentados e construísse uma escola.

Observou-se que o assentamento João Batista II, tem priorizado a educação das crianças, jovens e adultos. Segundo Nestor, líder comunitário, esse assunto vem sendo prioridade desde os primeiros dias de ocupação, onde as aulas dos assentados aconteciam em um barracão que oferecia as mínimas condições para o aprendizado das crianças, jovens e adultos. Hoje através da luta da comunidade as aulas acontecem em um prédio com salas de aula, banheiros femininos, masculinos e para deficientes físicos, sala de professores, biblioteca, sala de leitura, sala de educação infantil, copa com depósitos específicos para armazenar produtos de limpeza, alimentação e outros materiais, secretaria, administração, além de um amplo salão de recreação, o que traduz uma melhora bastante expressiva de infraestrutura.

Figura 2: Fachada principal da Escola Roberto Remigi no assentamento João Batista.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

O prédio, segundo Nestor, era um sonho antigo da comunidade. Verifica-se que a educação praticada no assentamento está sintonizada com as demandas produtivas locais do assentamento. A escola atende hoje, 145 alunos do assentamento e de outras comunidades vizinhas, como são o caso da Comunidade Bacuri e comunidade quilombola São Pedro.

No contexto sobre os princípios pedagógicos, observa-se que o movimento tem-se articulado em duas vertentes. Uma centrada nos princípios pedagógicos e a outra nos materiais utilizados como instrumentos de educação pelos educadores.

Figura 3: Biblioteca José Martins da Escola Roberto Remigi no assentamento João Batista.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

Exemplo disso é representado pela expedição “Vaga Lume” que é constituído de um conjunto de livros que tem como principal função promover a leitura na comunidade. A maioria dos livros tem como “pano de fundo” a questão ambiental, a fauna e flora.

Figura 4: Baús de livros da expedição “vaga lume” da Biblioteca José Martins.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

Além da expedição “vaga lume” observou-se outros instrumentos pedagógicos, como por exemplos: cartilhas elaboradas pelos alunos, sobre a história de luta dos assentados. Utiliza-se também instrumentos e símbolos do MST que fortalece a identidade do movimento como bandeiras, chapéus, livros, revistas, foice e etc. Isso segundo Ângela, diretora do colégio, fortalece a ideologia de luta dos assentados.

Dessa forma, conclui-se que a “pedagogia da educação” do assentamento João Batista tem sua inspirada no princípio da produção de conhecimento útil com base na realidade do movimento. Nesse contexto tem-se a produção de materiais como, por exemplo, cadernos com hinos, História de luta e símbolos que tem sido os principais instrumentos de formação. Estes materiais têm proporcionado novas formas de educação no MST, através de práticas pedagógicas que são caracterizadas pela discussão da conjuntura nacional e pelo entendimento que a educação tem várias dimensões e não devem ser trabalhadas igualmente ou com as mesmas metodologias.

Do chapéu de palha das primeiras ocupações de terra ao boné vermelho das marchas pelo Brasil, os Sem Terra se fazem identificar por formas determinadas de luta, [...]. Ao mesmo tempo em que mantêm o jeito próprio dos pobres do campo, os sem-terra do MST vão construindo um jeito diferente, que se transforma, se pensa e se recompõe a cada passo da trajetória que lhes afirma como trabalhadores da terra, e como sujeitos da luta de classes. Os sem-terra de boné vermelho carregam em si os sem-terra do chapéu de palha, embora já não sejam mais os mesmos (CALDART, 2004).

Figura 5: Representações simbólicas e místicas do MST.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

As cartilhas, os cadernos, os livros direcionam e determinam as práticas da militância. Observou-se que dentre as diretrizes consideradas importantes na constituição da identidade individual e coletiva, a mística, que compõe o conjunto de atos culturais vivenciados pelo grupo, caracteriza-se como um dos elementos fundamentais.

Na educação o resgate e a preservação da memória da trajetória histórica do grupo constituem o suporte para a elaboração da identidade individual e coletiva do sujeito sem-terra caracterizando, contemporaneamente. Neste contexto, os princípios que vão desde a relação da teoria com a prática, passando pela diversidade de forma de educação, educação para o trabalho e pelo trabalho, vínculo entre educação e política, economia, cultura, administração democrática, organização dos estudantes, criação de coletivos pedagógicos, incentivo a pesquisa e integração pedagógica na educação individual e coletiva solidificam a filosofia a ser seguida pela coletividade.

Figura 6: Livro da história do assentamento João Batista elaborados pelos alunos Escola Roberto Remigi.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

Existe no movimento uma preocupação de enfatizar que através do trabalho pode-se gerar riqueza como: consciência da realidade para se transformar o movimento, crescimento da cultura, crescimento da cultura política que deve deixar de ser neutra.

A educação afastada da neutralidade é estabelecida pela formação política através do envolvimento do estudante pela luta social do movimento. Isso possibilita a construção de uma nova base pedagógica, uma nova identidade social, uma nova cultura política e formação autocrítica. A educação não neutra busca problematizar várias questões relativas, por exemplo, a grade curricular da escola urbana e o processo pedagógico. Segundo Nestor, a educação afastada da neutralidade acontece todo final de mês, onde os alunos são levados para áreas dentro do assentamento para vivenciarem um processo de ocupação de terra e toda organização e vivenciada pelos alunos.

Segundo Ângela, a metodologia pedagógica do MST é marcada pelos conteúdos socialmente úteis e conectados com os parâmetros curriculares Nacionais (PCNs). A metodologia tem também realizado uma inter-relação entre saberes populares e os acadêmicos. Isso possibilita um aprofundamento da cultura com o conhecimento dito científico. Neste contexto, existe a ênfase na formação de investigadores para pesquisa de métodos de análise para propor mudanças educacionais e políticas para o futuro do movimento.

No grande pátio da escola, visualiza-se vários painéis com rostos de pessoas que influenciam tanto na luta, quanto na Educação. Atenta-se para um educador ucraniano, Anton Semionovitch Makarenko, foi um dos homens que ajudaram a responder a essas questões e a repensar o papel da escola e da família na recém-criada sociedade comunista, no início do século 20. Sua pedagogia tornou-se conhecida por transformar centenas de crianças e adolescentes marginalizados em cidadãos. O método criado por ele era uma novidade pois a escola tinha uma organização baseada na coletividade, levando em conta os sentimentos dos alunos na busca pela felicidade aliás, um conceito que só teria sentido se fosse para todos. O que importava eram os interesses da comunidade e a criança tinha privilégios impensáveis na época, como opinar e discutir suas necessidades no universo escolar.

Além da educação rígida e disciplinada, Makarenko quis formar personalidades, criar pessoas conscientes de seu papel político, cultas, sadias e que se tornassem trabalhadores preocupados com o bem-estar do grupo, ou seja, solidários. Na sociedade socialista de então, o trabalho era considerado essencial para a formação do homem, não apenas um valor econômico.

Estas práticas de Makarenko em época da União Soviética se inserem nos ideais de luta atuais, como o Movimento Sem Terra. A importância da formação das crianças dentro do assentamento, ensinadas conforme as práticas de luta do movimento, para que ao crescerem repassem o que lhes foi ensinado as próximas gerações e assim, fortalecendo o movimento. Por isso a necessidade de um Educador dentro do assentamento precisa estar inserido na luta e principalmente, ser do assentamento, pois a Educação daquela criança pode estar comprometido com os ideais de fora do movimento.

O educador Makarenko e seus ideais são peças fundamentais para a aprendizagem, mas o que realmente é peça-chave do movimento é o Chico Mendes. Este que era seringalista e fundou a resistência de trabalhadores rurais quanto as condições ruins de trabalho e o desmatamento da floresta amazônica, inclusive sendo contrário aos fazendeiros por concentração de terras. Suas lutas foram incansáveis e essenciais para os trabalhadores rurais de hoje, considerado um mártir para a luta de muitas categorias.

Figura 7: Antônio Semiónovtch Makarenkoe Chico Mendes instrumentos da identidade do MST.
Foto: Nicole, Março (2012).

O movimento tem conseguido envolver a comunidade, educandos e educadores num processo pedagógico democrático traduzido numa gestão democrática que tem fortalecido cada vez mais a luta, principalmente em função da organização dos estudantes. As equipes pedagógicas segundo Nestor, em conjunto com os alunos tem realizado uma educação solidária. Ou seja, o movimento tem lutado para formação de uma escola de qualidade social.

Figura 8: identidade de educação do MST na parede da residência do Sr Sabá.
Foto:Leonardo Sousa, Março (2012).

Essa escola de qualidade social pode ser observada com o Sr Sabá, uma das mais antigas lideranças, que no final do ano de 2011, conseguiu concluir o ensino médio sem perder sua identidade, que, aliás, é tão forte que na sala de sua residência de palha, este possui um pequeno “santuário” com vários símbolos e livros do movimento MST.

Pode-se observar que a educação não é o principal problema enfrentado no assentamento João Batista. O movimento tem passado, desde o desvio de terras, consumo de drogas pela classe jovem até o desmembramento da liderança inicial pela divergência de ideais. Existe também a dificuldade de moradia, a considerar a distância que as separam das áreas de produção e preparação do campo. O assentamento depois de legalizado começou a investir na produção através de financiamento de bancos, contudo segundo Nestor, as experiências não foram satisfatórias.

O Líder conta que se tentou a produção de arroz, mandioca, a chamada lavoura branca, e açaí no seco. Também se organizou a criação de gado leiteiro, todavia, não houve êxito significativo. Nestor ainda afirma que, essa situação deu-se em função da falta de conhecimento técnico da comunidade e a falta de apoio do INCRA e órgãos competentes. Isso provocou uma desestruturação na comunidade e a baixa produção das maiorias dos lotes. Ainda têm-se os problemas ambientais, como por exemplo, escavação profunda originada pela erosão em alguns lotes.

Esta erosão além de reduzir a área de produção tem provocado o abandono, pois, em algumas situações o terreno é totalmente desgastado. Em sem nenhuma cobertura vegetal.

Figura 9: Problema de erosão enfrentado no assentamento João Batista.
Foto: Leonardo Sousa, Março (2012).

Após a visita pode-se concluir que o movimento do MST no assentamento João Batista II, através da escola Roberto Remigi, tem organizado a educação de forma prioritária apesar das dificuldades enfrentadas, a toda sorte pela comunidade. O assentamento João Batista, tem contribuído para a vida do assentado na perspectiva do desenvolvimento socioeconômico e ambiental, bem como, na execução das políticas públicas educacionais das crianças, jovens e adultos.

Texto: Leonardo Sousa e Nicole Rodrigues
Revisão de Texto: Adelniso Fernandes - Posgraduado em Desefa Social

25 de fevereiro de 2012

Análise dos Incêndios de Belém – 2011

A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará, através do Corpo de Bombeiro, adotar uma política de divulgação de dados estatísticos dos principais tipos de ocorrências atendidas pela instituição. Os dados dos incêndios têm com objetivo ilustrar e indicar um processo sistemático de produção de conhecimento realizado a partir do estabelecimento de métodos e análise estatística dos registros relativos às ocorrências de incêndios do banco de dados do SISCOB (Sistema de Cadastro de Ocorrências de Bombeiros).

Analisando e comparando os anos de 2009 e 2011, a cidade de Belém teve uma diminuição nos números de incêndios. Em 2009 o Corpo de Bombeiros Militar registrou 764 ocorrências de incêndios com intervenção e em 2011 este valor diminuiu para 502 incêndios, correspondendo a uma redução de (25%) dos casos. A queda poder será atribuída à política de segurança pública implementada pelo Sr Comandante Geral Coronel Donato Teixeira Junior, através da descentralização dos serviços, que permiti a otimização dos recursos humanos e materiais do CBMPA.

Análise Exploratória dos Incêndios
Em Belém as chamadas de incêndio em 2011 ocorreram a qualquer hora do dia, contudo, alcançaram seu maior valor às 17 horas com 31 ocorrências de incêndios. Observa-se na Figura 1, uma evolução nas chamadas de incêndios entre os horários de 7horas e 17 horas e uma redução considerável nos horários das 13 horas no ano de 2011.

Figura 1: Distribuição dos incêndios por horas - 2011.
Fonte: Dados: SISCOB – CBMPA. Elaboração própria.

Chama a atenção, em primeiro lugar, as fortes oscilações no número de atendimentos, em segundo, a evolução a partir das 7 horas da manhã. Na Figura 1, distribuição de incêndio por horário de chamada de 2011, evidencia crescimento positivo em níveis variados nas chamadas de incêndios. A partir de 7h até as 11h houve um aumento de (83%) no número de ocorrências, chegando ao valor de 28 ocorrências às 11h. O terceiro ponto é a queda de (60%) nas ocorrências de incêndios às 11h e posteriormente uma evolução significativa de (64%) nos atendimentos às 17 horas.

Em 2011 o mês de agosto apresentou o maior número de atendimentos de incêndios. Registrou-se 73 intervenções do corpo de bombeiros que corresponde a (14%) do total de ocorrências, significando uma média de dois incêndios ao dia. Conforme a Tabela 1, o mês de maio com (11%) e Junho (10,5%) de atendimento ficam respectivamente na 2ª e 3ª posição em atendimento com intervenção pelo CBMPA. Contudo, observa-se que o mês fevereiro representou o menor atendimento, 25 ocorrências de incêndio. A média de atendimento em 2011 foi de 41 incêndios por mês, ou seja, mais de um incêndio ao dia.


Na Figura 2, tem-se a evolução das ocorrências de incêndios por meses no ano de 2011. Observa-se uma elevação de mais de (39%) no número de ocorrências do mês de julho para agosto e uma queda de (47%) de agosto para setembro. O Final do ano entre os meses de outubro houve um pequeno aumento (3 ocorrências) e a partir daí manteve-se estável com um incêndio por dia.

Figura 2: Evolução dos incêndios por mês - 2011.
Fonte: Dados: SISCOB – CBMPA. Elaboração própria.

Os incêndios são classificados de acordo com os materiais consumidos pelas chamas, neste contexto, os incêndios são agrupados em quatro classes em função dos agentes extintores. Na tabela 2, pode-se observar que a “Classe A” representa (63,8%) do número de matérias consumido pelas chamas em Belém. O incêndio de “Classe A” é aquele que tem como fonte de combustível os materiais sólidos, tais como: madeira, tecido, papéis, borrachas, plásticos e fibras orgânicas, que queimam em superfície e profundidade, deixando resíduo. Logos, os dados apresentados determinam que as cargas de combustíveis presentes sejam características de edificações do tipo residenciais. A “Classe D” que é a classificação de fogo em metais combustíveis, tais como magnésio, titânio, alumínio, zircônio, sódio, potássio e lítio, representou em 2011 (0%) dos incêndios combatidos pelo CBMPA.


Na Figura 3, observar-se que os incêndios de Belém atingiram madeira, tecidos, papéis, borrachas, plásticos que queimam em superfície e profundidade, deixando resíduos. A segunda classe de fogo com maior número de ocorrência envolve equipamentos e instalações elétricas energizados. Logo, a classe C corresponde a (35,4%) do número total de incêndio de Belém. Isso esclarece que de acordo com as classes de incêndios, em Belém as ocorrências, em sua a maioria teve inicio ou envolveram de forma direta ou indireta materiais energizados.
Figura 3: Distribuição do número de ocorrências de incêndios por classe do fogo - 2011.
Fonte: Elaboração própria. Dados: SISCOB – CBMPA.

Os incêndios urbanos também são classificados conforme o tipo: Edificações, transporte, vegetação e outros. A tabela 3 apresenta os tipos de incêndios que ocorreram em maior número foram em edificações (62%). Logo, confirma-se que os incêndios de “Classe A”em edificações onde é freqüente a permanência de pessoas como residenciais, pois, nos incêndios urbanos o mais comum e que a sua origem seja no comportamento negligente durante atividades tão banais como cozinhar ou fumar.


A Figura 4, apresenta a distribuição do número de ocorrências por tipo e percebe-se que “Outros” representa mais da metades do incêndios, significando-se que o Corpo de Bombeiro está atuando em combate de novo tipos de incêndios como por exemplo, fogo em medidores de energias fixados em poste em via pública.

Figura 4: Número de ocorrência de incêndios de acordo por tipo - 2011.
Fonte: Dados: SISCOB – CBMPA. Elaboração própria.

Em 2011 os sinistros de incêndios em residências corresponderam a (26%) dos fogos combatidos. No comércio teve-se 39 intervenções do CBMPA, portanto, bairros como Campina e Cidade Velha, no aspecto de segurança, estão expostos a risco de incêndio, em função, de muitos dos antigos prédios possuírem instalações elétricas antigas, carentes de manutenção preventiva ou corretivas. Outro fato que contribui para o risco de incêndio nos bairros do comércio é a estocagem irregular de grande quantidade de fogos de artifícios no interior de lojas.


A Figura 5 evidencia que pode ser em função de fogo em medidores energia a causa do grande número de incêndios em via pública (51%), pois, os mesmo encontram-se instalados em poste em via pública. Todavia, em via pública estão também inseridos os incêndios e automóveis e aqueles provocados por protestos e manifestações populares.

Figura 5: Locais das ocorrências de incêndios atendidas pelas UBM do CBMPA – 2011.
Fonte: Dados: SISCOB – CBMPA. Elaboração própria.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará, através Centro Integrado de Operações (CIOP), tem auxiliado redução dos atendimentos em grandes incêndios. Observa-se na Tabela 5 que (81,3%) das ocorrências são de combates a princípio de incêndio. Podendo-se concluir que o CIOP tem conseguido coletar as informações básicas como nome do solicitante, endereço (proximidade sem confirmação), e tipo de ocorrência, e repassado através de rádio para o quartel do corpo de bombeiros que julga estar mais próximo do local da ocorrência. Isso representa um menor tempo-resposta do CBMPA nos atendimentos de incêndios, evitando assim que o fogo alastre-se e evolua.

Análise Espacial dos Incêndios

A partir da espacialização das ocorrências de incêndio dos boletins de ocorrências de incêndio, do banco de dados do SISCOB (Sistema de Cadastro de Ocorrências de Bombeiros) em 2011, elaboraram-se mapas temáticos para representar a dinâmica espacial dos incêndios urbanos, área de risco e significância.

A Figuras 9 tem-se a visualização do mapeamento por bairros das ocorrências de incêndios ocorridos no município de Belém em 2011.


Figura 10: Mapa quntitativo de incêndio e Box Mapa do quantitativo de incêndios, ocorridos no município de Belém em 2011, por bairro. Fonte: Elaboração Santos, L.S

O estudo revela que as áreas de maior incidência de incêndios estão localizadas na sua grande maioria nas áreas sul e norte cidade, ou seja, no centro em função, de muitos dos antigos prédios possuírem instalações elétricas antigas, carentes de manutenção preventiva ou corretivas. Outro fator que contribui para o risco de incêndio no centro de Belém, principalmente na área comercial, é a estocagem irregular de grande quantidade de fogos de artifícios no interior de lojas.

A área sul, periferia, geralmente ocupados por moradores que foram “empurrados” pelas especulações imobiliárias, ou migrantes, de baixa renda, que se deslocam para essas regiões em função dos valores elevados dos imóveis nas aeras centrais da cidade. Neste contexto, nota-se o aparecimento cada vez maior ao longo do tempo de ocupações irregulares, onde os riscos de incêndio ficam por conta: do uso de velas próximo a cortinas; do uso indevido dos bujões à gás; da sobrecarga na fiação elétrica pelo uso de vários aparelhos numa mesma tomada; fios desencapados; etc.





21 de janeiro de 2012

Atendimento do Grupamento Aéreo do CBMPA 2011.

O Grupamento Aéreo de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiro Militar do Pará – GABS do CBMPA é uma unidade Bombeiros Militar, criado em setembro de 2007, sendo voltada para servir através da missão de salvar vidas.

Os resgates realizados pelo helicóptero pelo Grupamento Aéreo do Corpo de Bombeiros têm crescido muitos nos últimos anos, contudo, a Ilha do Marajó, com seus municípios, ainda tem se mantido desde sua criação o local onde o GABS tem realizado o maior número de deslocamento.

A Figura 1 tem-se o Mapa de densidade de atendimento no Pará em 2011
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

A concentração de atendimento na parte Norte do Estado do Pará é resultado da pouca autonomia de combustível do helicoptéro Resgate 01. A ampliação do serviço de resgate seria possível se o referido grupamento aéreo possuisse um carro tanque para abastecimento ou se o Corpo de Bombeiro inaugurase novas base em municípios específicos como Marabá, que possui um hospital metropolitano


Breves, Soure, Anajás e Santa Cruz do Ararí são os municípios que mais tem acionado o serviço de resgate aéreo.

Tabela 1. Municípios atendidos pelo GABS em 2011.

Fonte: Relatório de vôo do Resgate 01 - 2011.

A Figura 2 tem-se o Mapa de densidade dos municípios atendidos em 2011 pelo GABS.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

 
A Figura 3 tem-se o Mapa do números atendimentos nos municípios do Pará em 2011 pelo GABS.

Fonte: Elaboração Santos, L.S.


O quadro clínico que mais tem levado a o helicóptero Resgate 01 a ilha do Marajó é de Traumatismo Cranioencefálico, que corresponde a 17% das ocorrências atendidas, seguido de Fratura 11%, Ferimento por Arma de Fogo e Ferimento por Arma Branca 11% cada.
 
Tabela 1. Principais quadros clínicos atendidos pelo GABS em 2011.

Fonte: Relatório de vôo do Resgate 01 - 2011.

De acordo com o coronel Mauro Tadeu, do Graer, Nilson disse ter se desentendido com um homem e este teria lhe esfaqueado. ‘Segundo ele, o primeiro golpe foi na nuca. Ele caiu no chão e ainda foi ferido com uma facada no braço e outra nas costas’, contou o coronel.

Esta demanda realizada pelo Grupamento Aéreo de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiro Militar na Ilha do Marajó, acontece em função da distância da ilha para Belém e principalmente em razão do atendimento especializado que não existem na região. A chegada a Ilha do Marajó e realizado por barcos e balsas que saem em horários específicos e o translado de vítimas graves pelo rio Pará, que dura cerca de 30 a 40 minutos, poderia levar a vítima a óbito de acordo com a natureza do ocorrência.

A Figura 4 Números de atendimentos na Ilha do Marajó pelo GABS em 2011.

Fonte: Elaboração Santos, L.S.


Nilson foi atendido no posto de saúde de Santa Cruz do Arari, mas precisava de um atendimento especializado. ‘Como não havia barco saindo para Belém – o próximo só seria no sábado e a viagem dura 18 horas – fomos acionados para realizar o resgate’, disse Mauro Tadeu. A transferência durou cerca de 30 minutos (http://dariopedrosa.com/?p=1870)

O certo é que o GABS do CBMPA tem conseguido, com a Secretaria Estadual de Saúde, dar uma sobrevida aos moradores da gigantesca isolada ilha do Marajó, afinal Quanto vale uma vida? Quanto vale a sua saúde? Quanto tempo você pode esperar por um médico? Melhor: você pode esperar por um médico?

Figura 5 Mostra a aeronave Resgate 01 em pouso restrito em uma área isolada na Ilha do Marajó em 2011.

Fonte: GABS, 2001
O Grupamento Aéreo do Corpo de Bombeiros, que chega a realizar até cinco resgates por dia, com apenas um helicóptero. A ilha do Marajó devido ao isolamento geográfico, necessita muito do resgate aéreo do CBMPA, pois, sem este um paciente teria que enfrentar mais 10 horas de barco, dependendo do município, para chegar a capital Belém e buscar atendimento.


 

9 de novembro de 2011

Determinação de coordenadas em Carta Topográficas 1/100.000

Iniciamos esta aula com uma citação de Cortesão e Duarte:

"O conhecimento da cartografia é uma condição da qual o homem nunca poderá fugir, pois, é uma paixão avassaladora e salutar de conhecer a sua própria história. Essa história é contada de forma agradável através do estudo, da seqüência de cartas antigas em que os antepassados registram, com maior ou menor fantasia ou realidade, as suas concepções e conhecimento geográficos, CORTESÃO (1960) e DUARTE (2002)".

Na leitura de coordenadas geográficas ou UTM de um ponto, em uma carta ou mapa, empregamos conhecimentos matemáticos básicos tais como conceitos de segmentos proporcionais e regra de três simples, (IBGE).
A leitura de coordenadas é uma tarefa que deve se executada com cuidado e atenção.
Materiais básicos como:
  •   Carta
  • Régua escolar ou escalímetro;
  • Lápis;
  • Uma Calculadora.
  
Fig. 01: Determinação da longitude e latitude do Retiro Faz. Santa Rosa.
Fonte: Mapa topográfico. IBGE, 1981
 
Procedimentos:

Para iniciarmos, devemos identificar a quadrícula onde nosso ponto Retiro da Faz Santa Rosa está inserido e as coordenadas de referências da quadrícula. Fig 01.

A quadrícula está inserida no seguinte quadrante: 500 km à 700 km (leste – oeste) e 10.000 km à 8.000km (norte – sul) ou 500.000m à 700.000m (leste – oeste) e 10.000.000m à 8.000.000m (norte – sul), fig. 01.

Fig. 02: As coordenadas do eixo (leste-oeste) e (norte-sul).
Devemos observar a escala da carta que estamos usando, que no caso deste exemplo é de 1:100.000 (lê-se um para cem milhões) é representação da terra cem milhões vezes menores, ou seja, a cada 1 centímetro na carta corresponde a 100.000 cm ,1000m no terreno ou 1 km no terreno.

Os valores das quadrículas nas cartas topográficas esses valores estão impressos de forma abreviada. Logo iremos ter que preencher todos os valores referentes a cada casa decimal, Exemplo.

Fig. 03: quadrículas nas cartas topográficas com valores impressos de forma abreviada.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.
No cruzamento entre as duas retas traçadas estará o ponto desejado, determinado pelas coordenadas dadas, ou seja, a Retiro da Faz. Santa Rosa. No mapa topográfico do Rio Parauapebas. IBGE, 1981, fig 03.
Fig. 04: Determinação da longitude e latitude do Retiro Faz. Santa Rosa.

Como estamos trabalhando em uma carta de 1/100.000, cada quadricula pode ser dividida em 4 partes que medem 1cm. Assim, para longitude temos os valores a partir da coordenada de referência: 600.000, 601.000, 602.000, 603.000 e 604.000. Para latitudes temos: 9228.000, 9229.000, 9230.000, 9231.000 e 9232.000.
Fonte: Mapa topográfico. IBGE, 1981


Fig. 05: quadrículas nas cartas topográficas com valores impressos de forma abreviada.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

A quadrícula com divisão em intervalos nos proporciona uma seqüência de coordenadas plano retangular, partindo da menor coordenada para maior. Logo, teremos um esquadrejamento da quadrícula do ponto desejado. Esse esquadrejamento facilitará a determinação da coordenadas plano retangular, fig 03.

Fig. 06: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Para determinamos as coordenadas deveram selecionar os valores verticais e horizontal de referências menores que são:  600.000 e 9228000 e seguida somarmos a distância em metro a partir deste até o ponto desejado.

Para a realização do cálculo, deve-se coincidir o zero da régua com a linha da quadrícula exatamente no ponto “A” e medir a distância até o ponto “B” (Retiro da Faz Santa Rosa) e em seguida do ponto “C” até o ponto “D” (Retiro da Faz Santa Rosa) . 

Do ponto “A” até o ponto “B” = 2,5cm e como estamos trabalhando com um escala de 1/100.000 temos.
1 cm ------- 1000 m
2,5 cm ------- X
X = 2.500 m no terreno.

Fig. 07: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Logo do ponto “C” até ponto “D” temos os 3,5cm medido no mapa, teremos um total de 3.500m (3,5 x 1000 = 3.500m) na realidade desde essa linha até o ponto Retiro da Faz Santa Rosa.

1 cm ------- 1000 m
3,5 cm ------- X
X = 3.500 m no terreno.

Dessa forma, a coordenação do eixo horizontal e vertical apresentarão  valores de coordenada métricas:

Longitude menor:
Ponto A: 600.000 m + 3.500m = 603.500m.

Latitude menor:
Ponto C: 9228.000 m + 2.500 m = 9230.500 m.


Assim temos as coordenadas do ponto (Retiro da Faz. Santa Rosa):

Fig. 08: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Bibliografia

ALMEIDA, R; PASSINI, E. O espaço geográfico, ensino fundamental e representação. 2ed. SP: Contexto, 1991.
CASTROGIOVANNI, A. A geografia em sala de aula. p. 31 a 47
CEUB/ICPD – Curso de GPS e Cartografia básica. Agosto, 2004.
Discutido Geografia. Revista ano 4 nº 19. Escala Educacional, 2008.
DUARTE, Paulo Araújo – Fundamento de Cartografia. 2. Ed. Florianópolis: Ed da UFSC, 2002.
FERNANDO, Joly. 1917 – A Cartografia. Campinas. 7. Ed. SP: Papirus, 1990.
GIRARD, Gisele – Novo atlas geográfico do estudante / Gisele Girard, Jussara Vaz Rosa. – SP: FTD, 2005.
GORGULHO, Miguel Flori – Revista e ampliada em setembro de 2004.
VESENTINI, José Willian / VÂNIA, Vlach 1950 – Geografia crítica: o espaço natural e a ação humana. 25. Ed.
ver. E atual. SP: Ática, 1999.
http://www.ibge.com.br/
http://www.frigoletto.com.br/

Representações Cartográficas

Globo - representação esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade ilustrativa.

Mapa - representação plana, em escala pequena, delimitada por acidentes naturais ou políticos-administrativos, destinada a fins temáticos e culturais.

Cartas - representação plana, em escala média ou grande, com desdobramento em folhas articuladas sistematicamente, com limites de folhas constituídos por linhas convencionais, destinada a avaliação de distância e posições detalhadas.

Planta - tipo particular de carta, com área muito limitada e escala grande, com número de detalhes consequentemente maior.

Mosaiso - conjunto de fotos de determinada área, montadas técnica e artisticamente, como se o todo formasse uma só fotografia. Classifica-se como controlado, obtido apartir de fotografia aéreas submetidas a processos em que a imagem resultante corresponde à imagem tonada na foto, não controlado, preparado com o ajuste de detalhes de fotografia adjacentes, sem controle de termo ou correção de fotografia, sem preocupação com a precisão, ou ainda semicontrolado, montado combinando-se as duas características descritas.

Fotocarta - Mosaico controlado, com tratamento cartográfico.

Ortofotocarta - fotografia resultante da transformação de uma foto original, que é um perspectiva central do terreno, em uma projeção ortogonal sobre um plano.

Ortofotomapa - conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região.

Fotoíndice - montagem por superposição das fotografias, geralmente em escala reduzida. É a primeira imagem cartográfica da região. É o insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas de método fotogramétrico.

Carta Imagem - imagem referênciada a partir de pontos identificáveis com coordenadas conhecidas, superposta por reticulado da projeção

Revista Geografia, Conhecimento Prático, n 23, p 54. ed. Escala