19 de julho de 2012

CAIXÃO DE AREIA: RECURSO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA E CARTOGRAFIA


Foi no Curso de Licenciatura plena em Geografia, no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA, que percebi que o processo de ensino e aprendizagem a metodologia continua sendo o grande e relevante problema enfrentado por quem estuda e trabalha o conhecimento de um modo geral e em particular o da cartografia. As licenciaturas em geral vêm trabalhando a perspectiva da didática e prática de ensino. E essas devem possuir métodos de ensino e “devem superar a simples transmissão de informação e que se assentem em alternativa para mobilizar intelecto do aluno, fazendo com que ele se pergunte e não apenas espere respostas” (Callai, 2003, p.23).

Assim, nesta postagem apresento um recurso que pode responder a seguinte pergunta: Como ensinar conceitos relativos à noção de espaço e de que forma representá-los?

O caixão de areia, assim denominado por se tratar de um caixão cheio de areia, tem um largo emprego nos diferentes ramos da instrução militar (Uzêda, 1944, p. 428) - A expressão “caixão-de-areia”, empregada no Caderno de Instrução grafada com hífen, merece duas palavras de explicação. Seu significado é amplo e transcende aos próprios componentes que essa designação sugere, isto é, um caixão com areia para representar determinada região. É mais do que isso. Pretende englobar todos os modelos gráficos de terreno, com areia. A expressão pode encerra uma idéia, um conceito, uma sugestão e, fundamentalmente, um apelo à imaginação fértil dos professores e alunos.

Major Olívio Godim de Uzêda
Curso de Topografia Militar
1944

O caixão de areia nasce no seio militar e tem um largo emprego nas instruções e ações desenvolvidas por estas instituições. “Foi recomendado através de nota de instrução nº 1937: no sentido da facilitar ao máximo a instrução tática e certos ramos da técnica para oficiais e graduados, este comando preconiza o emprego ativo e constante do caixão de areia, como elemento indispensável à boa marcha da instrução”. (Uzêda, 1944, p. 428).

O Major Olívio Gondim de Uzêda no seu livro intitulado de Curso de topografia Militar de 1944, com várias recomendações que acompanham a obra (do Ten. Coronel Floriano de Lima Brayner, instrutor-chefe da Escola Militar, Major Osvaldo de Araújo Mota, sub-diretor da Escola das Armas, Major Artur da Costa e Silva, comandante do Centro de Instrução de Moto-mecanização e Major Aureliano de Farias, professor de Geodésica e Topografia da Escola Técnica do Exército), nos possibilitou o entendimento desta poderosa metodologia de modelagem do terreno.


“O ligeiro exame que procedi dá a impressão de ser, no assunto, a obra mais completa que se tenha feito no Brasil. A análise do índice mostra que o trabalho está orientado no verdadeiro sentido militar”. (Tasso M. Rego Serra, Capitão. Secretário, 1941).

Segundo o Major Olívio Gondim de Uzêda, o caixão de areia, assim denominado por se tratar de um caixão cheio de areia, tem um largo emprego nos diferentes ramos da instrução militar, sobretudo:

EMPREGO DOS CAIXÕES DE AREIA

O caixão de areia, assim denominado por se tratar de um caixão cheio de areia é um instrumento muito utilizado no meio militar e o contato com este recurso foi durante o Curso de Operações Ribeirinhas no Corpo de Fuzileiros Navais em Belém. Logo, percebi o largo emprego nos diferentes ramos da geografia e cartografia como por exemplo:


1 - Na topografia permitindo-nos familiarizarmos aos iniciantes o relevo do solo, fazendo-lhes sentir os acidentes do terreno;

2 - na modelagem do terreno no caixão de areia, instintivamente, facilita leitura de cartas e aplicamos continuadamente as leis do modelado;

3 - Na organização do terreno facultando-nos desde a escolha do conjunto dos traçados como estudo dos detalhes dos diferentes elementos;


Mas, por isso mesmo, pelas facilidades que nos oferece o caixão de areia é que vem à pelo recomendarmos não devemos usá-lo demasiadamente, sobretudo desprezando as idas ao campo onde as instruções, por certo, se aproximam mais da realidade.

UTILIZAÇÃO DOS CAIXÕES DE AREIA

O caixão-de-areia é recurso que permite a representação da superfície do solo e uma melhor visualização das características do terreno real nas três dimensões. Proporciona uma visão ampla de regiões representadas, compreensão mais rápida e mais precisa dos acidentes do que aquela que poderiam ser observados em uma carta topográfica.

O caixão-de-areia ainda oferecer uma representação que levará mais facilmente a participa e discussão sobre o problema estudado, por exemplo, hidrografia, relevo, solo, medidas etc.

Assim, este recurso pode ser utilizado como um modelo reduzido de terreno (maquete). Portanto, pode servir como um recurso valioso e relativamente barato, capaz de aumentar a eficiência das aulas e ainda serva como sugestão para desenvolvimento da imaginação fértil dos professores e alunos.

Segundo Almeida (2006, p. 76), o principal objetivo com maquete é chegar ao ponto de vista vertical, por isso não é necessário construí-la em escala. O tamanho da maquete e do objeto que figuram dentro dela deve ser definido por comparação e aproximação entre o real e os materiais disponíveis. Logo, deve-se entender o caixão-de-areia como uma maquete que tem como objetivo de representar, com matérias disponíveis, um terreno ou um espaço.


Todavia, a preocupação é conseguir fazer uma passagem das informações do saber universitário sem desfigurá-lo e sem desvalorizá-lo, através de uma transposição didática que não vulgarize nem o empobreça, mas, que se apresente como uma construção diferenciada, reconstruída e reorganizada.

Referências bibliográficas
CARDENO DE INSTRUÇÃO. CI 21-5/1. Out 1976. O Caixão de Areia: Utilização e Construção: Estado Maior do Exército Brasileiro: EGGCF.
LACOSTE, Yves. A geografia, isso serve em primeiro lugar para fazer a Guerra. Campinas, Papirus, 1988, p.16.
UZÊDA, Olívio Gondim. Curso de Topografia Militar., Rio de Janeiro: Henrique Velho, 1944.

17 de julho de 2012

UM POUCO DE HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA



A cartografia é um conhecimento que vem desenvolvendo-se desde a Pré-história e eram representações autênticas dos lugares. “Geralmente esses mapas eram usados em locais sagrados, utilizados em rituais e sem pretensão de serem preservados após os eventos” (Francischett)

Os Babilônicos: há milhares de anos confeccionaram entre 2.500 a 4500 a.C., uma placa de barro cozido, que cabe na palma da mão, provavelmente representando a região da Mesopotâmia, mostrando o rio Eufrates e a área circunvizinha, acidentes geográficos e pontos cardeais. Este mapa chama-se Ga-Su e é considerados um dos mais antigos.

Os Indianos: apesar de terem sidos poucos os documentos cartográficos produzidos, a Índia teve grande desenvolvimento nas ciências da matemática.

Os Chineses: A cartografia chinesa era bastante desenvolvida e em muitos lugares foram encontrados documentos cartográficos que comprovam a preocupação dos governantes em mapear as riquezas naturais daquele país. Os chineses além de uma série de informações e símbolos representando acidentes geográficos também se procuraram em traçar rotas marítimas.

“Na china antiga, muitos mapas tinham finalidades cadastrais, demarcatórias de fronteiras, como documentos burocráticos, planos para conservação das águas, meios para fixação de impostos, estratégias militares, reconstrução da geografia” (Duarte, 2002, p.28-29)

Os Gregos: A história dos mapas começou com os gregos, no século VIa.C., e marcou o surgimento da cartografia. Esse povo precisava de direcionamento nas expedições militares e navegações e por isso criou um centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental. Foram que estabeleceram, através de trabalhos cartográficos marcado por técnicas evolutivas para época, as bases científicas da moderna Cartografia, marcando assim a sua importância significativa no desenvolvimento de documentos cartográficos.

Anaximandro de Mileto (611 a 547 a.C.) autor do famoso mapa que representava o mundo então conhecido – regiões da Europa e Mar Mediterrâneo e sendo aperfeiçoado por Hecateu, seu contemporâneo.

Erastóstenes de Cirene (276 a 196 a.C.) abriu novos horizontes para a Cartografia quando mediu a circunferência da Terra, obtendo como resultado próximo de 46 mil quilômetros, sendo este, o que mais se aproximou das atuais medidas, que é de aproximadamente 40 mil quilômetros. Além disso, foi o autor de um mapa do mundo que mostrava as áreas habitadas, o qual foi modificado mais tarde por Hiparco de Nicéia (161 a 126 a. C,) e ainda chegou a dirigir a biblioteca do museu de Alexandria.

Cláudio Ptolomeu (90 a 168 a.C.) é considerado um dos marcos da Cartografia antiga. Influenciou o mundo ocidental por muitos séculos através de várias obras que escreveu sobre assuntos das ciências da Terra, Astronomia, Cartografia e um que dizia respeito às projeções.

“Em torno do ano de 1405 a obra de Ptolomeu foi traduzida para o latim, sendo que na época do Renascimento foi reaparecendo aos poucos na Europa, sofrendo, obviamente, algumas modificações em razão da necessidade de atualização, principalmente dos mapas (Duarte, 2002, p.36).

 Os Romanos durante a idade média difundiram um dos principais mapas da Igreja Romana, publicado na obra de Santo Isidoro, bispo de Servilha falecido em 636, foram os mapas conhecidos por Orbis Terrarum ou então mapas “T” no “O”, que tinha as formas circulares e traçados bastante simples. O “T” representava o Mar Mediterrâneo e o “O” correspondia ao oceano circundante.

“Na Idade Média, mapas chamados “T” dentro do “O” mostravam uma Terra circular simbolicamente dividida em três, como a Trindade, com dois braços de mar em T com a Europa à esquerda, a África à direita e a Ásia acima, sede do Paraíso terrestre” (Joly, 2004, p.10).

Os Europeus na Idade média tiveram contato com mapas que começaram a circular na Europa, um tipo de mapa com caráter mais científico e utilitário: o portulano, que muitas das vezes representavam o Mar Mediterrâneo e áreas litorâneas adjacentes. Contudo, entre os historiadores acredita-se que os idealizadores dos portulanos teriam sido os genoveses durante o século XIII, pois, Gênova, no século XIII e XIV, se destacava como um dos principais centros de atividades marítimas na Europa.

As cartas-portulano, que a princípio se limitava à bacia do Mediterrâneo e regiões próximas, foram, durante o século XIV, à medida que se intensificavam as navegações atlânticas, incluindo a costa do noroeste africano até o cabo Bojador e as ilhas oceânicas, de maneira cada vez mais completa ainda que, naturalmente, por vezes imprecisa (Cortesão, 1960, p.32, Duarte, 2002, p.36).

Gerhard Mercator também conhecido por nós por Geraldo Mercator ou simplesmente Mercator foi um dos cartógrafos mais importantes da Europa, comparado a Ptolomeu em sua época, inaugurou uma nova época para a Cartografia e tendo como seu trabalho mais conhecido as projeções cartográficas. “A palavra “atlas”, que hoje utilizamos para designar publicações que reúnem um conjunto de mapas, nos foi legado também por Mercator” (Duarte, 2002, p.37)

Os Franceses tiveram como nome famoso na história dos mapas Nicolau Sanso (1600-1667). Influenciado por Mercator, publicou mapas e atlas. Os franceses através das grandes navegações desenvolveram bastante a Cartografia.

No Brasil a Cartografia no Brasil foi influenciada pelos portugueses desde os primórdios de nossa história colonial. Na era dos descobrimentos, os dados eram armazenados durante as viagens, o que tornou os mapas mais acurados. (Francischett)

“A expansão ultramarina e a navegação marcada profundamente o caráter utilitário da Cartografia de Portugal da época da política colonialista, sendo intensa a produção de mapas marítimos mostrando a configuração das costas e delineamento de continentes e ilhas (Duarte, 2002, p.41)

A vinda da família real para o Brasil foi responsável pelo surgimento de uma Cartografia própria, mas muito influenciada pelas técnicas e estilos europeus. Contudo, através de medidas administrativas começou a organizar suas instituições militares, iniciando assim o rompimento da Cartografia Luso-brasileira e surgindo a Cartografia Imperial, dando início a preparação dos técnicos especialistas que dariam andamento ao trabalho de ordem geográfica e cartográfica no Brasil.

Segundo, FRANCISCHETT, Os indígenas no Brasil, século XIX, também aparecem como produtores de cartas que traçavam os rios e seus afluentes e foram estas cartas também orientaram as primeiras expedições dos portugueses pelo território brasileiro.

Já na era moderna, os mapas eram resultados de uma cartografia mais elaborada, que utilizavam projeções de superfícies curvas, em impressões planas. Nos dias de hoje, contamos com a contribuição de fotos aéreas e dos sistemas de via satélites, imagem sobrepostas, com efeito, relevo, além dos recursos de computadores para a criação dos mapas. Na verdade, as fotografias representam detalhamento, a superfície do solo. Já com os recursos da topografia, e feito o trabalho sobre o terreno e a cartografia é apresentada de uma maneira mais real.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Rosângela Doin de; PASSINI, Elza Yasuko. Espaço geográfico: ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1989, p.38, p.15.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Do desenho ao mapa – Iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Contexto, 2006.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História, Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1997. .
CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na sala de Aula. São Paulo: Contexto, 1999.
FRANCISCHETT, Mafalda Nesi. A cartografia no ensino-aprendizagem da geografia: Artigo disponível em:<< http://www.bocc.ubi.pt/pag/francischett-mafalda-representacoes-cartograficas.pdf >> acessado em 13 de Setembro de 2009.
JOLY, Fernand. A cartografia. Campinas, Papirus, 1990.
LACOSTE, Yves. A geografia, isso serve em primeiro lugar para fazer a Guerra. Campinas, Papirus, 1988, p.16.
MARTINELLI, Marcelo. A Sistematização da Cartografia Temática. In: ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007, p 159.
UZÊDA, Olívio Gondim. Curso de Topografia Militar., Rio de Janeiro: Henrique Velho, 1944.
OLIVEIRA, Lívia de Estudo Metodológico e Cognitivo do Mapa In: ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007, p 27.
PASSINI, Elsa Yasuko. Prática de ensino de geografia e estágio supervisionado.
PONTUSCHKA, N. N. PAGANELLI, T. I. e CACETE, N. H.. Para ensinar e Aprender Geografia. São Paulo: Cortez 2007, p. 38, p.44, p.122, p.39, p.215.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21 ed. São Paulo: Cortez, 2000.
SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999.
SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Primeiros Mapas: como entender e construir. São Paulo: Ática, 1995. 4 v.

Belém do Pará: Estudo de geografia urbana



A grande expansão urbana da cidade de Belém nas ultimas décadas tem ultrapassado suas fronteiras municipais e está se refletindo em outros municípios. A dinâmica urbana que vem alterando a paisagem urbana onde se observa a inserção de novos objetos na paisagem, os prédios residenciais, os quais apresentam características peculiares quanto a sua localização, apresentando as evidencias de um incipiente e tímido processo de Verticalização com peculiaridades à parte, dado o fato de os prédios estarem sendo erguidos na maioria em bairros periféricos e não na área central da cidade, apresentando a hipótese de uma nova forma de organização das cidades amazônicas conurbadas a grandes capitais, como Belém.

Belém tem vivido uma produção do espaço urbano muito intenso, que influenciou o crescimento, não só da cidade, como também, consequentemente sua região metropolitana e estudar essa dinâmica é extremamente necessário e interessante.

O processo de produção do espaço urbano de Belém vem sendo estudado por vários autores, dentre eles, Oliveira (1992, 2005, 2006), Andrade (1995), Ferreira e Oliveira (2004), Miranda (2005), Miranda e Padinha (2005), Maia (2005, 2007) e Padinha (2005, 2007).

Um destes estudo eu deixo para disposição: ANTÔNIO ROCHA PENTEADO – Belém do Pará: Estudo de geografia urbana, Volume 1 e 2 Coleção amazônica. Série José Veríssimo Belém do Pará: estudo de geografia urbana, António Rocha Penteado Volume 2 de Belém do Pará, António Rocha Penteado.

Clique e baixe a obra:
http://www.4shared.com/office/hQQcd3gz/Belm_-_Estudo_de_Geografia_Urb.html

OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS CARTOGRÁFICOS BRASILEIROS



No Brasil existe um grande número de órgãos, empresas e sociedades envolvidas nas atividades cartográficas. Alguns são especializados, porém poucos são os que realizam todo o processo cartográfico. Na área da Cartografia topográfica, existem três entidades muito destacadas, contudo existem vários outros órgãos, empresas, etc., que participam da obra cartográfica brasileira.

Os três órgãos mais envolvidos no programa de mapeamentos terrestres são a DSG e a Fundação IBGE.

A Comissão de Cartografia (COCAR)

Sediada em Brasília a COCAR não produz o nenhuma carta; entretanto, ela é responsável pela coordenação de toda a cartografia topográfica do Brasil.

Nesse papel de coordenação, a COCAR é a melhor fonte de informação sobre a disponibilidade de cartas de qualquer parte do Brasil, seja de qualquer origem, ano, escala, tema sistemático e método de reprodução (impressas, heliográficas, ou ainda inéditas quanto à confecção).

A COCAR também está encarregada de implementar e distribuir os recursos financeiros cartográficos fornecidos pela Secretaria de Planejamento (SEPLAN), incluindo os dos programas no grande plano de dinamização. O grande programa de dinamização da cartografia visa a duplicação ou triplicação do esforço, a fim de estabelecer uma programação destinada a completar o mapeamento topográfico do Brasil numa data mais próxima possível.

Diretoria do Serviço Geográfico (DSG)


A DSG, órgão do ministério do Exército, pioneiro da cartografia no Brasil, vem realizando ao longo de noventa anos atividades. O mapeamento do imenso território nacional. Desde a sua criação, em 31 de maio de 1980 passou por profundas transformações, tanto na sua estrutura organizacional como nos métodos de trabalho, utilizando-se dos mais modernos equipamentos cartográficos existentes no mercado mundial. Denominada, inicialmente, de Serviços Geográfico, apresentou como primeiro e histórico trabalho de mapeamento, através da comissão da carta Geral do Brasil criada em 1903, a execução do projeto de triangulação do Brasil, cobrindo, inicialmente, todo o Estado do Rio Grande do Sul. A partir de 1913 passou a denominar-se Serviço Geográfico Militar, tendo sido, nesse mesmo período, organizada a pioneira seção de estereofotogrametria, como primeiro passo na evolução das técnicas cartográficas daquela época.
Em 1932 o Serviço geográfico Militar passou a denominação de Serviço Geográfico do Exército, tendo a comissão da Carta Geral sido transformada na atual 1ª divisão de levantamento, com sede em porto Alegre. Até 1935 eram utilizados, ainda os métodos de levantamento com emprego da prancheta, porém, com o auxílio de fotografias aéreas que lhe proporcionavam efetiva melhoria na qualidade do produto final, a carta topográfica a partir do ano seguinte os métodos aerofotogramétricos foram efetivamente adotados pelo serviço cartográfico, proporcionando um grande impulso na evolução do mapeamento.

Com a criação da segunda divisão de levantamento em ponta Grossa -PR, passou o serviço geográfico a contar com maior capacidade de trabalho acelerando-se a atividade cartográfica em prol do desenvolvimento da nação. O DSG adotou em 1951 em continuação a sua constante evolução técnica, o Multiplex, aparelho destinado a restituição fotogramétrica, o mais moderno da época e que reduziu em grande parte as dificuldades dos trabalhos de campo.
Apartir de 1956 a DSG ingressou na era da eletrônica adotando modernos equipamentos destinados à medição de distâncias e a execução das aerotriangulações coadjuvadas para a crescente capacidade dos computadores. Isto permitiu um aumento substancial da produtividade da diretoria, a par de um acentuado apropriamento da técnica de confecção de suas cartas, compatível com o desenvolvimento do país.

A terceira divisão de levantamentos, foi criada em 1968 com sede em Olinda-PE afim de atender as necessidades cartográficas do nordeste.

A DSG foi instalada em Brasília em 1973, tendo sido criado em suas antigas instalações no Rio de Janeiro, no ano anterior o centro de operações cartográficas (COC), agora a quinta DL.

A diretoria, com a quarta DL, em 6 de julho de 1978, em Manaus, e a transferência da segunda DL para Brasília em 1981 passou a contar, em sua estrutura, com uma divisão de levantamentos em cada uma das 5 grandes regiões.

A DSG, que apartir de 1976 vem desempenhando a função de mapear grande parte da região amazônica, onde as condições da natureza não permitem o emprego dos métodos clássicos de levantamentos, adotou a moderna técnica do posicionamento através de rastreamento de satélites geodésicos.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

A fundação IBGE tem como objetivo básico assegurar a produção de informação estatística, geográficas, cartográficas, geodésicas, demográficas, sócio- económicas, de recursos naturais e de condições de meio ambiente, inclusive poluição, necessárias ao conhecimento da realidade física, económica e social do País, em seus aspetos considerados essenciais ao planeamento econômico e social e a segurança nacional.

As atividades técnicas de pesquisas, análise e estudos geodésicos e cartográficos e os levantamentos geodésicos e topográficos, mapeamento e outras atividades cartográficas são executadas pelas Superintendências de Geodesia e Cartografia, órgãos integrantes da Diretoria de Geodesia e Cartografia. Assim, a coleção, a transformação, geração e dessiminação abrange desde os levantamentos geodésicos até os produtos cartográficos ajustados ao nível de tecnologia e programas nacionais.
 
Fonte:
ANDRESON, P. S. PRINCÍPIOS DE CARTOGRAFÍA BÁSICA VOLUME No. 1 (Capítulos 1 a 7) da Série PRINCÍPIOS DE CARTOGRAFÍA, Editor – Coordenador: Paul S. Anderson.Incluindo Capítulos Traduzidos do Livro Maps, Distortion and Meaning por Mark S. Monmonier

9 de julho de 2012

INCÊNDIOS HISTÓRICOS DE BELÉM


Os incêndios já começa a ser motivo de preocupação já início no Século XVII a.C, com imperador babilônico Hamurabi, onde surge o primeiro conjunto de normas de prevenção e de intervenções em casos de incêndios e calamidades. Muitos artigos do Código de Hamurabi se tornaram leis e estão em vigor até hoje (MENEZES, 2007).

O risco de incêndio em áreas urbanas tem aumentado ao longo dos anos e a alternativa mais utilizada pela maioria dos órgãos responsável é a adoção de medidas de prevenção dentro de uma política adequada de planejamento de distribuição de recursos destinados à proteção contra incêndio urbano (CARLOS, 2008).

No brasil um dos primeiros relatos de incêndio aconteceram nas ilhas de Laje e Sergipe e em 1560. Mem de Sá manda destroiu com fogo as aldeias e os fortins franceses construídos nas referidas ilhas. Segundo o professor Herculano Gomes Mathias, do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil - IHGB, além de grandes incêndios urbanos, havia no período Colonial gigantescos incêndios florestais.

Um dos grandes exemplos de incêndios no espaço urbano aconteceu na cidade de São Paulo, nos edifícios Andraus em fevereiro de 1972 e Joelma em fevereiro de 1974, resultando em 352 vítimas, sendo 16 mortos e 336 feridos (Andraus) e 499 vítimas, sendo 179 mortos e 320 feridos (Joelma) (CARLOS, 2008).

INCÊNDIOS URBANO DE BELÉM

O primeiro grande incêndio que se tem relato em Belém ocorreu de no dia 13 de fevereiro de 1872. De La para cá o combate ao fogo tem se tornado presente e com tendência de virar tragédia por vários fatores como a falta de hidrantes e até dificuldades de acesso. No incêndio da casa Chama em 2002 os militares tiveram de buscar água na Baia de Guajará.

Belém é uma cidade marcada por grandes incêndios. Veja a seguir:
Ponto Data Local


1 - 1872 - Residencial do político Dr. José Coelho da Gama e Abreu, o Barão de Marajó

2 - 1882 -  Prédio da Viscondessa de Souza Franco

3 - 1882 - Largo de Santana, Rua do Imperador, esquina com a travessa Ocidental do Mercado

4 - 1882 - Alfândega de Belém

5 - 1896 - Depósito de derivados de borracha da firma Frank da Costa & Cia, Trav. Campos Sales

6 - 1902 - Trav. Campos Sales nº 5, no prédio onde funcionava a firma Frank da Costa & Cia

7 - 1905 - Trav. Campos Sales nº 65 em uma mercearia

8 - 1905 - Mercearia, Trav. Campos Sales nº 65

9 - 1910 - Foguetearia de propriedade de Eduardo Moreira, Rua dos Mundurucus entre Trav. Castelo Branco e Av. José Bonifácio

10 - 1910 - Três barracas, Mundurucus, entre a travessa Castelo Branco e a Av. José Bonifácio

11 - 1911 - Prédio nº 71

12 - 1912 - Casa de Lemos, Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE), Av Gentil Bittencourt

13 - 1912 - Edifício sede do jornal “A Província do Pará

14 - 1917 - Casa de comércio “Agulha de Maria”,

15 - 1924 - Fábrica Palmeira

16 - 1934 - Três residências

17 - 1935 - Prédios nº 137 e nº 139, Rua Manoel Barata.

18 - 1935 - Usina Progresso

19 - 1946 - Serviço de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará, Miramar

20 - 1954 - Ônibus sendo incendiados por manifestantes, devido ao aumento das tarifas, autorizado pela Prefeitura

21 - 1970 - Banco da Amazônia

22 - 1970 - Hotel dos Viajantes, Boulevard Castilhos França

23 - 1970 - Posto de Gasolina da Empresa Soares

24 - 1970 - Posto de gasolina da Empresa Recauchutadora de Pneus Soares

25 - 1975 - Mesbla, na Av. Padre Eutíquio

26 - 1980 - Companhia Amazônia Têxtil de Aniagem (CATA)

27 - 1982 - Prédio Hospital Juliano Moreira, Asilo dos Alienados e manicômio

28 - 1988 - Convento dos Mercedários

29 - 1988 - Casa Laura

30 - 1989 - Casa Farol

31 - 1990 - Supermercado São João

32 - 1990 - Supermercado São João

33 - 1990 - Supermercado Nazaré

34 - 1990 - CIFEMA, Av. Almirante Barroso

35 - 1990 - Gráfica Falângola

36 - 1990 - Tágide Veículos

37 - 1990 - Centrais Elétricas do Pará, Subestação Reduto

38 - 1990 - Cantina do Banco da Amazônia

39 - 1990 - Supermercados Pão de Açucar (Pedreira)

40 - 1995 - Loja Bechara Mattar

41 - 2001 - Assentamento do Riacho Doce

42 - 2002 - Casa Chama

O risco de incêndio em áreas urbanas tem aumentado ao longo dos anos e o Centro Histórico de Belém, com suas construções antigas tem sofrido com grande ocorrência de incêndio, principalmente pelo fato de algumas lojas armazenam em seus departamentos fogos e explosivos ao lado de material inflamável. A estocagem irregular contribui para o risco de incêndio. Aliado a isso temos a baixa qualidade da fiação elétrica dos edifícios e das residências históricos. Assim, a análise dos padrões pontuais das ocorrências de incêndio o pode auxiliar os órgãos responsáveis na elaboração de medidas de prevenção e ainda servir de apoio para uma política adequada de planejamento de distribuição de recursos destinados à proteção contra incêndio urbano.

GRANDES INCÊNDIOS DE BELÉM DA DÉCADA DE 70 A 90.
 
Figura 2: Mapa dos grandes incêndios de Belém da década de 70 a 90.
Fonte: Elaboração própria. Dados Menezes, 2004.

Figura 3: Principais incêndios históricos de Belém da década de 70 a 90.
Fonte: Elaboração própria. Dados Menezes, 2004.

Nos anos 1990: Um exemplo de desastre em área de altíssimo risco aconteceu no dia 18 de dezembro de 2001 no bairro do Guamá, onde um incêndio no assentamento do Riacho Doce destruiu em torno de 4,7 mil metros quadrados da comunidade, tomando enormes proporções ocasionando na queima total de 113 casas, 09 casas parcialmente queimadas, 939 pessoas desabrigadas e danos de 631 mil reais aproximadamente. (OLIVEIRA, 2006).

Figura 3: O grande incêndio de 2001 no assentamento Riacho Doce.
Fonte: Biblioteca Pública “Arthur Viana” (CENTUR, 2001).

Figura 4: O grande incêndio de 2001 no assentamento Riacho Doce.
Fonte: Biblioteca Pública “Arthur Viana” (CENTUR, 2001).


Figura 5: O grande incêndio de 2001 no assentamento Riacho Doce.
Fonte: Biblioteca Pública “Arthur Viana” (CENTUR, 2001).


Figura 6: O grande incêndio de 2001 no assentamento Riacho Doce.
Fonte: Biblioteca Pública “Arthur Viana” (CENTUR, 2001).



Figura 7: O grande incêndio de 2001 no assentamento Riacho Doce.
Fonte: Biblioteca Pública “Arthur Viana” (CENTUR, 2001).

Analisando e comparando o universo das ocorrências de incêndios de 2009, 2010 e 2011 em Belém, uma redução de (36%) nos caso de incêndio no biênio 2009 – 2010 e um aumento de (2%) no biênio 2010 – 2011. A queda, poder ser atribuída à política de segurança pública implementada pelo Corpo de Bombeiros Militar através da descentralização dos serviços, que permiti a otimização dos recursos humanos e materiais do CBMPA.

Figura 8: Número de ocorrências de incêndio no período de janeiro 2009 a dezembro 2011.
Fonte: Elaboração própria. Dados: SISCOB – CBMPA.

A região metropolitana de Belém convive com alto número de ocorrências de incêndio urbano causam grande custo social monumental e ainda um custo econômico difícil de mensurar, mas inquestionavelmente alto. Isso ressalta a necessidade de se adotar mecanismo para reduzir o número de incêndio. A alternativa utilizada pela maioria dos órgãos responsável é a adoção de medidas de prevenção dentro de uma política adequada de planejamento de distribuição de recursos destinados à proteção contra incêndio urbano. A dininuição dos grandes números de incêndios é resultado do trabalho do Corpo de Bombeiros Militar que em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará tem adotado uma política de prevenção, aquisição de novas viaturas, qualificação profissional.

o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel João Hilberto Sousa de Figueiredo destacou os principais avanços obtidos. “Este ano recebemos um investimento maciço do governo principalmente na questão dos equipamentos operacionais. Adquirimos recentemente 25 viaturas de resgate que serão fundamentais para que possamos diminuir a demanda reprimida das ocorrências, já que atualmente, 50% delas se referem ao atendimento de resgate", concluiu.

5 de julho de 2012

População de Belém por Bairros



De acordo com Banco de Dados Agregados (Sidra), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Guamá é o bairro mais populoso de Belém.

Os dados fazem parte das estatísticas do Censo 2010 que pode permiti a investigação da situação vários municípios por bairros. IBGE começa a divulgar a Malha Municipal Digital de Setores Censitários do Censo 2010, uma ferramenta que permite visualizar resultados do Censo 2010 em um mapa digital.

Com um total de 94.610 habitantes, o Guamá é o mais populoso dos bairros de Belém. Pedreira e Marambaia vêm logo atrás, com 69.608 e 66.708 pessoas, respectivamente. Também figuram na lista dos mais populosos os bairros do Tapanã, Marco e Jurunas. Já os menos populosos estão todos localizados na ilha do Mosqueiro; o menos habitado é o Marahu, com apenas 132 habitantes.

Figura: Distribuição da densidade de populacional e distribuição populacional de Belém.

Fonte: Censo, 2010. Elaboração SANTOS, L.S. (2012).

Considerando apenas os bairros de Belém, sem incluir os distritos, o menos populoso é o do Aurá, com 1.827 habitantes.

Dentro das pesquisas que podem ser realizadas pode-se discriminar a população por faixa etária em cada bairro.

De acordo com o censo, o Pará possui 7.576.702 residentes. Considerando o número de habitantes levantado pelo censo, o Estado possui 3.821.37 homens e 3.759.214 mulheres. Ao todo, existem no Estado 2,164 milhões de domicílios particulares permanentes, que são moradias de uma, duas ou no máximo cinco famílias.

As informações por subdistrito/bairro que podem ser acessadas pelo Sistema de Recuperação Automática (Sidra), no endereço http://www.sidra.ibge.gov.br/, mas só estão disponíveis para os municípios que possuem bairros legalmente definidos.


2 de julho de 2012

REMOTE SENSING – APPLICATIONS

Professor Claudio Szlafsztein publica capítulo no livro:

REMOTE SENSING – APPLICATIONS

Hoje em dia é difícil encontrar áreas de atividade humana que não lucraram com desenvolvimento do sensoriamento remoto.  Neste sentido o livro pretende mostrar ao leitor como sensoriamento remoto tem criado impactos em áreas da ciência, tecnologia e atividade humana, por apresentar alta qualidade e diferentes aplicações.

O capitulo 13 do livro REMOTE SENSING – APPLICATIONS, publicado em 13 de junho de 2012 é de autoria do professor Claudio Szlafsztein (Professor permanente do PPGEDAM/NUMA) em parceria com Milena Andrade (NAEA). Todos os capítulos do livro estão disponíveis para download no endereço:



Fonte: ppgedam@ufpa.br.


Representações Cartográficas

Globo - representação esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade ilustrativa.

Mapa - representação plana, em escala pequena, delimitada por acidentes naturais ou políticos-administrativos, destinada a fins temáticos e culturais.

Cartas - representação plana, em escala média ou grande, com desdobramento em folhas articuladas sistematicamente, com limites de folhas constituídos por linhas convencionais, destinada a avaliação de distância e posições detalhadas.

Planta - tipo particular de carta, com área muito limitada e escala grande, com número de detalhes consequentemente maior.

Mosaiso - conjunto de fotos de determinada área, montadas técnica e artisticamente, como se o todo formasse uma só fotografia. Classifica-se como controlado, obtido apartir de fotografia aéreas submetidas a processos em que a imagem resultante corresponde à imagem tonada na foto, não controlado, preparado com o ajuste de detalhes de fotografia adjacentes, sem controle de termo ou correção de fotografia, sem preocupação com a precisão, ou ainda semicontrolado, montado combinando-se as duas características descritas.

Fotocarta - Mosaico controlado, com tratamento cartográfico.

Ortofotocarta - fotografia resultante da transformação de uma foto original, que é um perspectiva central do terreno, em uma projeção ortogonal sobre um plano.

Ortofotomapa - conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região.

Fotoíndice - montagem por superposição das fotografias, geralmente em escala reduzida. É a primeira imagem cartográfica da região. É o insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas de método fotogramétrico.

Carta Imagem - imagem referênciada a partir de pontos identificáveis com coordenadas conhecidas, superposta por reticulado da projeção

Revista Geografia, Conhecimento Prático, n 23, p 54. ed. Escala